Novembro Negro

NOVEMBRO NEGRO | SERVIÇO DE PRETO: CONHEÇA, JACQUELINE MAIA

novembro 07, 2016

Foto: Renata Delgada (Coletivo Naiá) | Jacqueline Maia - Belo Horizonte

Jacqueline Maia tem trinta anos, é bancária, historiadora e uma das pessoas mais encantadoras que a graduação em história me deu a oportunidade de conhecer. Jacqueline concluiu a licenciatura antes de eu ingressar na universidade, mas agora com ela cursando o bacharelado teremos a chance de ser, pelo menos por alguns semestres, colegas de curso e, espero eu, parceiras na construção de uma melhor atuação profissional melhor dentro da nossa área de graduação. Na entrevista de hoje, Jacqueline vai contar um pouco sobre a sua atuação como bancária além de historiadora, confira a entrevista.

Jacqueline, você tem formação técnica ou graduação superior nesta área em que atua?
Sim. No banco trabalho como analista de risco de crédito, uso a minha formação em administração com habilitação em comércio exterior. 
Minha atuação como historiadora envolve pesquisas, oficinas, palestras sobre gênero, raça e educação para relações étnico-raciais, isso por eu estar envolvida na militância.

Você escolheu esta profissão ou “foi escolhida”? E quanto à ser historiadora? Quando se deu tudo isto?
Eu fiz concurso público pra trabalhar em banco. De certa forma eu escolhi, rs... Passar e ter a estabilidade é sim positivo. Mas quando eu entrei na faculdade de Administração, a minha ideia era me preparar para o concurso de diplomata do Instituto Rio Branco, os obstáculos ao longo da vida, que naquela época eu entendia como intransponíveis, me fizeram à adequar os meus interesses.
Já a profissão de Historiadora (e em algum momento professora de História), foi plenamente consciente e está intrinsecamente ligada a minha tomada de conscientização, de ser mulher e negra numa sociedade desigual. Comecei estudar História principalmente para tentar compreender isto. Comecei a trabalhar como bancária aos 22 anos, mas fiz o concurso com 18.
Eu me entendo como historiadora a partir do momento que entrei no curso de história, com 26 anos.

Alguma barreira ou dificuldade, dentro das suas áreas de atuação, que possam ser relacionadas às questões raciais?
Uma...bem... No banco, a maioria das colegas que entraram comigo e que tem a minha faixa etária já tem cargos técnicos superiores ou cargos de gestão. Quando eu entrei, trabalhava em uma agência ligada à uma superintendência com fama de exigir um "determinado padrão de beleza" para atender o público e serem alçadas à promoção. Eu estava fora deste padrão de beleza e fui relegada à tarefas menos valorizadas, porém mais desgastantes dentro de uma agência bancária. Engordei 10kg, sendo menosprezada por clientes de diversas formas. Graças à Deus consegui sair da agência, ir para áreas onde o meu trabalho e profissionalismo eram valorizados.
Eu sigo sendo a única negra no local de trabalho. Nos últimos 6 anos tive a oportunidade de trabalhar em um ambiente com 6 negros entre 140 pessoas, agora, depois da promoção, sou a única entre 70. O que eu percebo é que quanto mais eu subo profissionalmente, menos negros encontro.

E é possível inserir seu posicionamento ideológico, acerca de raça, no dia a dia da sua profissão?
No setor onde eu trabalhei nos últimos 6 anos, tinha abertura para fazer esse tipo de debate e conscientização. Principalmente porque trabalhava em uma área ligada à benefícios sociais para o trabalhador. Agora estou em um setor novo e ainda não tive a percepção se poderei fazer esse debate de forma ampla. Já na História minha atuação é exatamente para fazer debate de raça.

Para encerrar, qual o seu conselho para os negros que querem seguir nestas áreas?
Trabalhar em banco público é ótimo, no sentido da segurança, da estabilidade, dos benefícios, que não existem em muitas áreas. Dá pra trabalhar em banco fazendo algo que se gosta. E tem lugar para quase todos os tipos de profissão. Apesar de trabalhar como administradora, existem atividades que poderiam incluir o trabalho de historiadora (em menor quantidade, infelizmente).

Amanhã, uma nova entrevista, com uma profissional de outra área. Vamos juntos dar um novo significado à esta expressão, nós podemos tudo! |Entrevista Anterior|

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3 comentários

  1. Tenho muito orgulho de ter esta grande mulher negra entre meu pequeno grupo de amigos.

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  2. Testemunho de superação, dedicação e muita inspiração. Mulher, negra e guerreira! Obrigado! Parabéns!

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