segunda-feira, 16 de março de 2020

O que é o BLACK TWITTER? Como acessar e quem seguir.

março 16, 2020 0
Se você chegou até este post é porque em algum momento nós tivemos a mesma dúvida: mas que raios de Black Twitter é esse? Tenho que baixar alguma coisa diferente? E agora que eu descobri o que é esse tal de Black Twitter eu achei que seria uma boa vir dividir com vocês, além de recomendar algumas pessoas interessantes para acompanhar nesse rolê preto!

Pode ser que isso lhe cause alguma frustração mas o Black Twitter não é um outro aplicativo paralelo ao já conhecido Twitter. 

O Black Twitter é como a própria comunidade negra presente no Twitter chama o circulo de pessoas consideradas influentes dentro da comunidade. Pessoas que levantam pautas e temas online e que suas opiniões acabam adquirindo relevância no site. Assim o Black Twitter não é um novo site só para pessoas negras, você não precisa de um "convite" ou código especial para acessá-lo, basta que você volte a sua atenção para personalidades negras dentro do Twitter.

Isso implica em alguns fatores importantes:
  • Quem faz o seu black twitter é você, isso significa que você monta a sua rede de influência preta, quem vai ser relevante para você é você quem decide. O Black Twitter assim como as pessoas negras é diverso e plural.
  • Nem todo mundo vai concordar entre si e nem você vai concordar com todo mundo, uma vez que somos seres humanos únicos e dotados de pensamento próprio é totalmente normal que o Black Twitter seja divergente as vezes e a discordância é positiva para que você possa ler vários lados da mesma história até poder formar a sua própria opinião.
Agora que você já sabe o que é o Black Twitter, aqui vai uma lista de pessoas para que você possa seguir e experimentar este (não tão novo) mundo.

IMPORTANTE: Estas são só algumas pessoas que sigo e me interesso pelas discussões levantadas por elas, o que não significa que eles são "representantes oficiais" de nada, você pode criar o seu próprio Black Twitter aí da sua casa também!

  1. Aretha Soyombo (Preta de Neve)
  2. Nath Finanças 
  3. Gabi Oliveira
  4. Gabi Coelho
  5. Lívia Teodoro (hora do jabá!)
  6. Andreza Delgado
  7. Buba Aguiar
  8. Winnie Bueno
  9. Hugo Gama
  10. Caio César

segunda-feira, 9 de março de 2020

O sofrimento negro não comove, convencer pelo choro é um privilégio branco

março 09, 2020 4
Uma coisa que peço ao meu Jesus Pretinho todos os dias desde que comecei acompanhar ao BBB via Twitter é: "não deixe o Babu reagir ao racismo da Marcela e sua patota, Jesus Pretinho, dê sabedoria àquele homem para que ele seja o mais pacífico possível - sim, isso é cruel - e nunca responda aquelas que se comportam como sinhás naquela casa. Por favor, Jesus Pretinho!"
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Babu Santana - BBB20
Porque?
Só é dada à branquitude o privilégio de comover com choro, de se desculpar por um crime de ódio e mais do que isso só é dada à branquitude o direito de ser superior as pessoas negras e também o direito de comover com o próprio sofrimento. Isso quer dizer que ninguém vai se lembrar do sofrimento que Babu sentiu ao dizer "ela me olha como a minha patroa me olhava" mas somente do "sofrimento" das mulheres brancas que provavelmente se dirão atacadas injustamente pelo homem negro raivoso. Aqui está mais uma preocupação que devemos ter.
Sempre que eu vejo uma mãe negra chorar pela perda de seus filhos eu recobro que a dor da mãe negra não comove e no máximo serve como entretenimento. Uma diversão sádica e cruel as custas do sofrimento de um corpo que não merece compaixão. O linchamento público de pessoas negras é tão antigo quanto o tráfico de pessoas negras para servirem como escravas nas Américas. O castigo físico era mais que uma punição individual, era uma punição coletiva destinada a coibir pelo medo e aquele sofrimento dos que eram castigados não comovia pelo simples motivo daquelas pessoas não serem consideradas humanas. E é na mesma ideia de desumanização que hoje eu afirmo, TODO O SOFRIMENTO DE BABU SERIA DESCONSIDERADO AO MENOR SINAL DE REAÇÃO CONTRA O RACISMO daquelas mulheres.

Fomos ensinadas à temer o homem negro. Inclusive as mulheres negras. O estereótipo de violento, cruel e besta-fera foi construído ao longo da história para consolidar o homem negro no lugar de não humano. Inclusive o estereótipo de "comedor e pauzudo" faz parte deste pacote. Assim como as mulheres negras foram colocadas no lugar de fogosas, insaciáveis, aquelas com as quais se faz tudo e não sentem nada. Como então nós estaríamos comovidos pelo sofrimento de criaturas que não sentem?

Babu tem uma carreira de dar inveja, excelente ator com uma filmografia incrível e muito culto, polido demais para reagir à altura do racismo que vem sofrendo ou mesmo nem ouça metade do que nós temos acesso aqui de fora com as câmeras e microfones atentos para cada sussurro. E talvez seja até bom ele não ouvir pois fica fácil Jesus Pretinho atender ao meu pedido!

Não é difícil saber o que acontece quando um homem negro reage contra o racismo de uma mulher branca. E dizer isso não quer dizer ignorar o machismo e a misoginia da nossa sociedade. Os homens negros não estão isentos de produzirem este comportamento, infelizmente. Mas aqui chegamos à uma situação delicada: COMO ENTÃO REAGIR E DENUNCIAR O RACISMO DAS MULHERES SENDO UM HOMEM?
Em 2014 o goleiro Aranha sofreu um ataque racista de uma torcedora do Grêmio. Aos berros a torcedora o chamava de "macaco". O goleiro reagiu, revidou, denunciou. E o próprio Aranha reconhece o apagão na sua carreira depois de ter se posicionado de maneira dura contra a torcedora. Se não formos dóceis e compreensíveis com o ato é grande o risco de que a racista passe para posição de vítima. Você consegue imaginar uma pessoa que cometeu um assassinato, um estupro ou um assalto pedindo desculpas e saindo pela porta da frente da delegacia mesmo quando presa em flagrante? Pois isso acontece com a maioria dos casos de injuria racial registrados no país já que para registrar o crime de racismo é preciso que a vítima "tenha a sorte" em encontrar um advogado e um delegado com disposição de usar a tipificação no boletim de ocorrência. Para entender a DIFERENÇA ENTRE RACISMO E INJÚRIA RACIAL você pode acessar este link.


É deste mesmo lugar que vem a ideia de docilidade, de que é preciso ignorar o assunto para que ele se resolva. "Se forem racistas com você apenas se cale: como tratar racismo, por Morgan Freeman" é um texto sobre como a ideia de que devemos ignorar para resolver é pensada para ser mais uma violência contra as pessoas negras. Se "segurar" - principalmente se você for um homem negro sofrendo racismo de uma mulher - é a máxima que deve ser seguida afinal você corre o risco de ser classificado como o agressivo, o nervoso, o violento contra uma figura que comove pelo choro e pela sensibilidade. E não há medida para reagir ao racismo sem transpor esta linha.

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Caso "Goleiro Aranha": Torcedora é acusada de racismo ao chamar o jogador de "macaco" durante partida do Grêmio.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

#itauracista: No Brasil a raça sobrepõe a classe e a conta bancária

janeiro 31, 2020 0

O discurso Marxista empregado à sociedade brasileira, quando desconsidera o racismo estrutural no qual estamos inseridos, não se sustenta por mais de dez segundos. E posso afirmar isto com tranquilidade enquanto mulher preta e historiadora. Raça, no Brasil, sobrepõe classe SIM!

Nesse momento um dos assuntos mais comentados no Twitter e no #BlackTwitter é o #ITAURACISTA.

Na tarde da última quinta-feira Lorena Vieira que é empresária e mora no Rio de Janeiro sofreu racismo numa agência do Banco Itau, na qual era correntista (Lorena já anunciou que retirará sua conta do banco). A empresária, que faz movimentações altas em sua conta foi acusada de FRAUDE. Lorena alega ter sido "enrolada" pelo banco, ficando lá até não haver mais nenhum cliente na agência e então foi levada pela Polícia Civil para "prestar esclarecimentos" sobre seu próprio dinheiro.

Além de todo o constrangimento provocado pelo Banco Itau contra a cliente a polícia também expôs Lorena à constrangimentos desnecessários ao envolver o nome de seu companheiro nas perguntas sobre a sua conta no banco.
Perguntas relacionadas às suas visitas ao companheiro na prisão foram feitas à Lorena quando na verdade a "averiguação" inicialmente seria sobre uma suposta fraude, denunciada pelo banco Itau em sua própria conta.
O banco se manifestou dizendo se tratar de uma "conduta padrão". Agora, cá entre nós, é padrão chamar a polícia para pessoas brancas que movimentam altas quantias em suas contas bancárias? Este é com certeza mais um daqueles "casos isolados" que só acontecem com gente negra no Brasil.




Outras pessoas tem se manifestado através da rede social sobre o caso de racismo recente no banco Itaú.

E não podemos esquecer que recentemente o mesmo banco esteve envolvido em outra polêmica racista: Uma turma INTEIRA de estagiários, 125 novos trainees do banco e NENHUMA pessoa negra entre os selecionados. Desta vez o banco alegou "coincidência", para justificar seu racismo.


Em sua consta no Instagram (@badgallore) Lorena relatou os fatos e falou de como se sentiu ofendida com a conduta do Banco Itau e dos policiais que a interrogaram sobre o seu companheiro, o Dj Renan da Penha, preso injustamente no ano de 2019.

A esperança que fica neste caso é que, como em 1955 quando Rosa Parks foi presa por se negar a ceder para o segregacionismo num ônibus nos EUA, nós negros brasileiros possamos REALMENTE deixar de dar o nosso dinheiro para um banco que foi explicitamente racista com uma mulher negra. E não que as demais instituições financeiras do país não sejam, são. Mas se não começarmos de algum lugar, nos revoltaremos quando?

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Não é porque eu gosto de mulher que eu vou dar em cima de você

janeiro 15, 2020 0
Precisamos falar sobre a autoestima elevada da mulher hétero.


Guardadas as devidas proporções reservadas às mulheres negras e as não negras, numa sociedade racista que joga nossa autoestima no lixo cotidianamente, ainda assim é necessário falar da autoestima hétero. E falo aqui de um lugar muito específico: a mulher que se declarava heterossexual e representava muito bem este estereótipo.

A culpa disso, acredito eu, é de pensarmos todas as relações como pensamos as relações entre a masculinidade tóxica e as mulheres. Mas, mulheres se amam — geralmente — não se comportam como predadoras. 

Nós geralmente somos criadas dentro da heteronormatividade compulsória. Nasceu menina, vai usar rosa, usar vestido e, claro, gostar de meninos. Não consideramos as variantes do gênero muito menos a diversidade sexual quando nasce uma menina. E é nesse padrão que somos criadas. Quem nunca ouviu na infância que se um menino era agressivo com você era porque ele gostava de você? Eu ouvi muito! Lembro da minha primeira experiência com o gostar violento dos meninos, eu tinha uns 10 anos e aprendi que se aquele menino me agredia era o jeito dele demonstrar amor. E é dentro desta lógica de heteronormatividade violenta e agressiva que muitas de nós cresceram. Logo, é comum que projetemos este modelo de relação em qualquer ser humano que se relacione com mulheres. Mas, acredite, eu tô aqui para te contar que não é sempre assim!

E pasme, isso ocorre não porque mulheres sejam seres sagrados e perfeitos, incapazes de serem abusivas. Somos, podemos ser se não cuidarmos. Mas, não é a regra. 

Homens heterossexuais geralmente não gostam de mulheres. Aceite. Repudiam nosso cheiro, nossa forma, nossos traços físicos — e se eu entrar na seara de ser uma mulher negra, piora — e nosso intelecto. Homens geralmente não leem mulheres, não ouvem mulheres, não conversam com mulheres sem intenção sexual e são capazes de jurar que gostam de mulher. "Mano, não gosta, teu amor você guarda pros teus brothers da bunda cabeluda!"

E quando somos criadas dentro dessa lógica insana de violência e repulsa para com mulheres tendemos a acreditar que só existe essa maneira predatória de lidar e se relacionar. Mas, para a nossa felicidade, existem outras.

A VIOLÊNCIA E O COMPORTAMENTO PREDATÓRIO NÃO SÃO AS ÚNICAS MANEIRAS DE AMAR MULHERES. E quando a gente entende isso fica fácil entender outra coisa: NÃO É PORQUE EU GOSTO DE MULHER QUE EU VOU DAR EM CIMA DE VOCÊ, SÓ PORQUE VOCÊ É MULHER!

Acostumadas com a lógica predatória da masculinidade tóxica para com as mulheres heterossexuais elas aplicam à nós mulheres que gostam de mulheres — e muito, graças a Deus — a mesma lógica violenta e predatória da maioria dos homens. Mas, mais uma vez, não é assim que a banda toca.

Aliás este texto, como você já deve ter percebido, é sobre várias coisas que você achou que eram mas na verdade não são. Mulheres que gostam de mulheres não são homens. Homens são homens, mulheres são outro patamar. E, antes que você ache que mulheres são perfeitas, volte algumas linhas neste texto e entenda, a função de tudo isto não é romantizar relações entre mulheres — que podem também ser abusivas.

Quando uma mulher gosta sexualmente de outras mulheres isto não significa que ela enxerga todas as mulheres do mundo como um pedaço de carne pronto para ser comido. Essa é uma lógica machista,  patriarcal e, por mais que algumas mulheres possam sim reproduzir esta lógica, essa é a forma como a masculinidade violenta se organiza e o princípio básico para que você seja a base disso é ser homem. Claro que existem outras formas de viver a masculinidade e vários homens tem se proposto a discutir isso mas está muito mais provável que mulheres façam diferente — por princípio, já que não são homens — do que os próprios. 

Isso quer dizer que não é a regra que mulheres saim por ai querendo meter os seus dedos em todo o buraco só para provar que são comedoras. Não é a regra que mulheres vejam todas as outras mulheres como seu lugar de masturbação, apenas um buraco para satisfazer seus prazeres sexuais. 

Um parênteses aqui, pretendo logo escrever um texto sobre a não romantização das  relações entre mulheres, a gente pode querer só sexo algumas vezes e TÁ TUDO BEM, VIU, MIGA? Mas fica para outra hora.

Entender sobre consentimentos, sobre respeitar espaços, sobre conseguir ouvir o que o outro ser humano está dizendo pode não parecer difícil, mas numa sociedade machista ouvir e sentir mulheres parece ser uma atitude impossível para alguns homens.

Por fim o que importa aqui é que não somos nós mulheres que vivemos nessa lógica predatória, logo, você mulher heterossexual pode ficar bem tranquila, a gente não vai dar em cima de você só porque a gente gosta de mulher. 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

O poder de transformação da força do ódio

dezembro 18, 2019 2
Conversar com uma pessoa que nasceu, cresceu, viveu e para sempre vai viver numa pele que não representa uma ameaça à ela chega a ser quase uma experiência antropológica para uma pessoa negra. Eu, mulher negra e com um alvo nas costas há 28 anos não sei o que é viver sem medo. Nunca soube, mesmo quando eu não sabia de onde vinha o medo que sentia. O ódio é a linguagem com a qual pessoas negras são educadas e, perceba, não estou aqui falando dos nossos lares, do nosso local de segurança, estou falando de uma estrutura social que conversa com pessoas negras através do ódio e somente ele. Frantz Fanon, psiquiatra martinicano que escreveu “Os Condenados da Terra”, título publicado em 1961, tratou em sua obra da linguagem da violência aplicada pelo sistema colonial aos corpos e mentes negras, durante a guerra de libertação da Argélia. Fanon analisa ali um contexto sendo contemporâneo da repressão colonial, mas peço licença para analisar o contexto brasileiro aos olhos do psiquiatra.


Imagem: Getty Images
Ter a tranquilidade de poder não sentir ódio é, com toda a certeza, um privilégio.
Todos os dias lemos notícias de injustiças, desmandos e ataques diretos às pessoas negras e periféricas. Ao pensar na Indústria da Cultura, segundo o filósofo Adorno, é possível ver qual o papel da mídia na hora de formar e tranquilizar uma sociedade em relação às suas mazelas, mas, e quando a indústria da cultura é pensada para amenizar apenas “um lado” da história? O sistema colonial faz o trabalho de manter dóceis alguns membros da sociedade que, mesmo sendo negros, não conseguem se revoltar contra o sistema. Mas, aí é que está, nem todos nós conseguimos nos anestesiar.

Quando você cresce sem a necessidade de se revoltar com um sistema que foi feito para atrasar, oprimir e matar (no extremo do genocídio negro) a única coisa que lhe garantiria o mínimo de incômodo com a situação de quem sente essa necessidade é uma formação ideológica bastante refinada (referência ao antropólogo Kabengele Munanga, em seu livro “Negritude: Usos e Sentidos") mas numa sociedade criada sob a falsa ideia de uma democracia racial e a cordialidade entre as diferentes raças (do ponto de vista social e não biológico), fica muito difícil criar em pessoas não negras essa revolta inata que nasce com as pessoas negras. Já está mais do que provado que biologicamente o conceito de raça não se sustenta, em especial para explicar as diferenças entre pessoas, mas, socialmente o conceito existe e é forte, por isso é impossível não falar de racismo na hora de identificar as diferenças sociais entre pessoas negras e brancas num país como o Brasil. 

Raça aqui é fator determinante. E, quanto mais escuro, mais decisivo é este fator na vida das pessoas. A pigmentocracia no Brasil é real. 

Pessoas negras são o alvo direto da necropolítica atualmente instalada no Brasil. Criar um inimigo para poder exterminá-lo com aprovação de várias camadas da sociedade não é novo, mas vem se fortalecendo cada dia mais e mais. E nós, pessoas negras minimamente conscientes, nos revoltamos com isso, odiamos isso. Daí, voltamos a Fanon, se é com ódio que dialogam conosco, qual será a linguagem usaremos para responder aos ataques, se não o mesmo ódio?

Odiar é normal e esperado quando nossos corpos são alvo diariamente deste ódio social.

E é a colonialidade que tem a missão de manter domesticado este ódio.
Evocar a paz e a “civilidade” diante da raiva e indignação de pessoas negras com a violência sistematizada é, no mínimo, desrespeitoso. Confundir a reação do oprimido com a violência do opressor é também desrespeitoso para com quem não conhece outra linguagem de tratamento a não ser a violência. 
A sociedade espera o que além disso de quem é criado para saber que deverá se submeter ao ódio?